sábado, 12 de maio de 2012

Resenha: Memórias de um Sargento de Milícias


Resenha: Memórias de um Sargento de Milícias



Memórias de um Sargento de Milícias apareceu como um romance de folhetim, que foi publicado anonimamente de maneira semanal no jornal Correio Mercantil, do Rio de Janeiro, entre junho e julho dos anos de 1852 e 1853. A história saiu em livro em 1854 (primeiro volume) e 1855 (segundo volume), com autoria creditada a “Um Brasileiro”. O nome de Manuel Antônio de Almeida aparece apenas na terceira edição, já póstuma, em 1863.
Manuel Antônio de Almeida nasceu em 1831 no Rio de Janeiro, teve uma infância conturbada pelo falecimento de seu pai quando ele tinha apenas 10 anos e com dificuldades financeiras. Cursou uma faculdade de medicina (chegando a conclui-la em 1855, mas nunca exerceu a profissão), porem com problemas financeiros passou a escrever para jornais, sendo posteriormente redator do Correio Mercantil, onde publicou sua única obra em prosa (Memórias de um Sargento de Milícias). Chegou a ser professor de Liceu de Artes e Ofícios e diretor da Tipografia Nacional (aonde chegou a conhecer o jovem Machado de Assis). Morreu em 1861 tentando iniciar sua carreira política, no naufrágio do navio Hermes na costa do Rio de Janeiro.

Memórias de um Sargento de Milícias é uma obra situada na baixada fluminense e se foca principalmente em mostrar as classes baixas da sociedade brasileira do século XIX. O livro inicia mostrando como um casal de imigrantes portugueses (Leonardo-Pataca e Maria Hortaliça) conhece-se (a partir de piscadelas e beliscões e outros flertes) durante a viagem para o Brasil (ainda no tempo da colônia deixado explicito com a afirmação “Era no tempo do rei” logo no inicio do livro). Os resultados de tais atos resultam no personagem principal: Leonardo. Então após descrever os acontecimentos como o nascimento de Leonardo, o seu batismo, a festa de casamento de Leonardo-Pataca e Maria Hortaliça, e como aos poucos seu casamento se arruína após Leonardo-Pataca se tornar meirinho (empregado judicial que servia ao rei) e seu filho se mostrar um garoto problemático, o livro então da um salto no tempo mostrando as coisas sete anos depois. Leonardo-Pataca descobre estar sendo traído por Maria, oque resulta numa briga entre os dois que acaba por afetar Leonardo diretamente, pois ficou sem seu pai (que o abandonara) e sua mãe (que fugia para Portugal com seu amante) e então passa a viver com sob a proteção de seu padrinho (o barbeiro) e com sua madrinha (a parteira). O livro passa a mostrar as desventuras de Leonardo com sete anos e posteriormente no inicio da sua fase adulta e de Leonardo-Pataca após ser traído.
As principais características que a obra Memórias de um Sargento de Milícias apresenta são uma narrativa em terceira pessoa feita não por uma personagem, mas sim por um narrador onisciente, o estilo de escrita baseado na maneira que eram feito os textos jornalísticos além de incorporar uma linguagem ao mesmo tempo simples das classes baixas e com características complexas das classes altas, e por se passar em ambientes urbanos do século XIX, mais essencialmente em lugares históricos da cidade do Rio de Janeiro frequentados pelas classes baixas.
O livro trata de dois temas centrais, o primeiro é o cotidiano da população das classes baixas da sociedade da época (representando como, por exemplo, eram as comemorações religiosas de ciganos e católicos de tais classes, feitas por passeatas ou acompanhadas por músicas), e em segundo sobre o desenvolvimento do personagem principal Leonardo (mesmo o livro sendo originalmente um folhetim que apresentava histórias curtas de diversas personagens como, por exemplo, Vidigal em sua busca pela justiça e Dona Maria com seus dilemas em torno de sua sobrinha). O livro é um ótimo exemplo de como do caos pode vir à ordem, que é um tema amplo para a compreensão da busca pela paz. A analogia que representa a ordem é representada pelo desfecho feliz da obra (esta que mesmo sendo romântica desafia as regras do romantismo que costuma mostrar um final trágico) e a que representa o caos é o conflito entre os personagens (Leonardo passa por diversos acontecimentos trágicos como a morte de seu padrinho, sua caçada viva pelo Vidigal, suas tentativas falhas de obter um relacionamento amoroso com Lusinha), este sistema mostrar que mesmo por mais adversas sejam as situações podemos e devemos tentar mesmo assim lutar e obter um desfecho obter condições para criarmos nosso próprio desfecho feliz (resultara então na paz).  Existe uma clara evolução das personagens ao longo da história, porem isso é de fato realizado essencialmente pelas principais (Leonardo passa de um menino baderneiro, para um adulto típico do estereotipo “malandro carioca” e por fim um homem decidido se firmando como um miliciano), algumas não têm nenhuma grande transformação (Leonardo-Pataca volta a sofrer com relacionamentos até finalmente se casar, porém não volta a ter contato com seu filho tento o expulso de casa por uma segunda vez, ou como outro exemplo, Luisinha sobrinha de Dona Maria que mesmo tendo uma evolução em relação a sua fisionomia se transformando em uma bela mulher continua insegura e tímida).
Com essa resenha queremos demonstrar que mesmo com as maiores adversidades causadas pelos problemas da vida (os conflitos entre as necessidades individualistas de cada pessoa) pode-se obter a paz (tal paz que não é simplesmente de um descanso, mas sim de uma obtenção de conhecimento próprio) a partir de atitudes (que não visam causar ou ampliar esse caos a outras pessoas) que tentam solucionar tais efeitos negativos. Memórias de um Sargento de Milícias  é uma obra literária do período romancista que ironiza os próprios conceitos vigentes literários, e que explora com a comedia e a tragédia exemplificar soluções para o caos para no final do mesmo existir a ordem que estará sempre vigente ao ser humano.

Grupo G12c, 2°C, 12/05/2012.

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